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LANÇAMENTO SAUBER LADY IN BLACK NO PORTAL G1

Criamos uma cerveja especialmente para as mulheres, a Lady in Black.

Há 20 anos as mulheres estão retomando um espaço que já foi ocupado exclusivamente por elas em seis mil antes de Cristo. Elas estão se destacando na produção cervejeira. Desde a Idade Média essa cultura havia se tornado tipicamente masculina, de acordo com Kathia Zanatta, a primeira sommelière de cervejas do Brasil formada pela Doemens Akademie, em Munique, na Alemanha. A referência feminina é tão grande neste segmento que, nos dias de hoje, cervejarias artesanais direcionam suas pesquisas para descobrir sabores dedicados ao paladar delas.

A cervejeira Karina Garrido começou a produzir a bebida para desafiar o marido, em Itajaí (SC). “Um dia, em uma roda de amigos bebendo cerveja, ele disse que mulher não sabia fazer cerveja boa. Hoje eu tenho um concorrente dentro de casa. Na verdade, muitos debocharam quando comecei a fazer cerveja em casa, hoje, muitos compram a minha cerveja e deixam a do meu marido de lado. Eu me divirto com isso”. Segundo a especialista Kathia, “hoje a mulher não é um subproduto da cerveja. Ela tem seu espaço e está sendo respeitada por isso”, disse.

Apesar de a linha de cervejas de Karina não ser específica para as mulheres, o rótulo e o nome das bebidas têm uma característica que inevitavelmente atrai o interesse feminino sobre o produto. “Meu marido, que tem sobrenome Flores, sofria com os amigos cervejeiros, que o chamavam de Flower como brincadeira. Fiz uma homenagem ao meu marido e chamei a linha de cervejas de Lady Flower’s”, disse Karina.

“Tenho quatro cervejas. A principal é a com jasmim, mas também tenho cerveja com calêndula, com camomila e com alfazema. Estou pensando em tirar de linha esta última porque tem algo nela que ainda não me agrada”, explicou a cervejeira catarinense.

Ela disse que chegou a enfrentar dificuldade com o preconceito masculino quando começou no ramo cervejeiro. “Muitos debochavam de mim quando comecei. Hoje em dia, o preconceito está apenas em achar que a cerveja que faço é mais fraca. Mas a minha cerveja não é só para mulher, é feita por mulher e até os homens bebem”, disse ela.

Cerveja para mulher

O mestre cervejeiro Renato Marquetti Júnior, 66 anos, mergulhou na produção de cerveja há três anos e meio e disse que as bebidas mais diferentes que faz são as de limão siciliano, de abóbora, de gengibre e de mel. “O meu novo passo foi desenvolver uma cerveja preta, que envasamos pela primeira vez em 1º de março, em homenagem às mulheres. Devemos colocá-la no mercado até o fim do mês. O nome escolhido foi Lady in Black, uma cerveja preta, mais encorpada e adocicada e feita para mulher.”

 

Renato disse que pensou em produzir a cerveja para homenagear a mulher Vanesca, que não bebe. “Minha esposa participa de toda a produção, mas não bebe. Ficava constrangido com isso. Fui pesquisando o paladar feminino e cheguei a essa cerveja. Basicamente eu fiz a cerveja pensando em minha mulher.”

O cervejeiro disse que ela já aprovou a cerveja “Minha mulher gostou da homenagem, mas reclamou que a bebida ainda tem um gostinho amargo no final. Procurei usar lúpulos mais suaves, mais aromatizados. A primeira produção rendeu cerca de 100 garrafas de 600 ml”, disse Renato.

Cervejas “gourmet”

A filha dele, Alessandra Marquetti, é responsável pela área de vendas e marketing da cervejaria artesanal Sauber Beer, criada pelo pai. Ela disse que a aceitação da bebida feita de maneira caseira é cada vez maior. ”No começo fazíamos apenas 50 litros por brassagem (cozimento do malte). Hoje temos equipamento de 250 litros e conseguimos atender a demanda. O que produzimos é vendido. Nosso público é de quem gosta das chamadas cervejas gourmet. São pessoas que apreciam a bebida junto com um prato que harmonize bem.”

Beber e saborear

Amanda Reitenbach, 27 anos, é formada em engenharia de alimentos e se especializou no assunto, se tornou sommelière de cervejas e também atua como professora de curso técnico para cervejeiros em Santa Catarina. “Sempre gostei de cerveja, mas gostava das mais diferentes. Hoje degusto cerveja todos os dias. Quando eu comecei, há cinco anos, a presença da mulher na cultura cervejeira do país ainda não era bem aceita. De dois anos pra cá melhorou muito.”

Hoje, além de oferecer consultoria para empresas produtoras de cerveja, ela atua no segmento de zitogastronomia (harmonização de cerveja com comida). “Faço cerveja em casa. Tenho 30 receitas de cervejas. Adoro cozinhar e aproveito para harmonizar os sabores da bebida com os dos pratos. O meu paladar foge um pouco dos padrões femininos. Tenho preferência por cervejas mais lupuladas e também pelas de fermentação espontânea. Geralmente, as cervejas mais suaves são mais fáceis de serem assimiladas por outras mulheres”, disse Amanda.

Paladar feminino

Kathia Zanatta, 29 anos, se tornou a primeira sommelière de cervejas do país com especialização na Alemanha. Hoje, ela atua como professora do curso de Sommeliers de Cerveja da ABS-SP, consultora para treinamentos e criação de cartas de cervejas para bares e restaurantes e é jurada oficial dos concursos European Beer Star, na Alemanha, e do World Beer Cup, nos Estados Unidos.

Para ela, o ressurgimento da cerveja artesanal começou no século XX e junto com isso, lentamente a mulher voltou a se relacionar com esse mercado. “O novo conceito trazido pelas cervejas especiais, em função do serviço e até mesmo pela harmonização, permitem à mulher manter a feminilidade quando a consome. Além do consumo, a presença da mulher como profissional no mundo cervejeiro vem se tornando cada vez maior, principalmente como sommelières de cerveja.”

Segundo ela, a relação das mães com as filhas pode ter colaborado com isso. “Nós, mulheres, temos uma memória sensorial mais extensa de que muitos homens pois somos levadas pelas mães para a cozinha desde cedo e somos expostas a aromas de temperos e perfumes diferenciados com maior frequencia. Cientificamente, não há diferença fisiológica nenhuma entre homem e mulher, mas nossas diferenças de educação na infância, acabam fazendo a diferença.”

Kathia disse que a zitogastronomia começou a se intensificar no Brasil há aproximadamente cinco anos. ”Algumas pessoas ainda se espantam quando falamos em harmonizar a cerveja com a comida, o que é mais tradicional ocorrer com o vinho. Muitas mulheres não gostam do gosto amargo, por exemplo, e dão preferência para as cervejas mais adocicadas. A harmonização correta pode fazer a diferença nesta escolha.”

Confrarias

Amanda Reitenbach participa de encontros só de mulheres há dois anos. “Degustamos cervejas artesanais, as feitas por nós mesmas e as comerciais também. Homem não entra neste dia, mas nos reunimos também para beber com os homens”, disse Amanda.

Segundo ela, as “a atuação da mulher começou na antiguidade. Na Idade Média, nas abadias e nos mosteiros que a cerveja passou a ser uma produção masculina. Depois, com a revolução Industrial a mulher seguiu em segundo plano, sob o efeito do preconceito. A retomada da mulher no mundo cervejeiro começou há 20 anos.”

Amanda disse que, no antigo Egito, as imagens arqueológicas indicam mulheres produzindo cerveja e os homens apenas bebendo. “Hoje isso está mudando”.

Veja na íntegra em: http://g1.globo.com/brasil/noticia/2012/03/cervejarias-artesanais-criam-produtos-para-paladar-feminino.html